terça-feira, 30 de junho de 2009


Palavras



Palavras vão como o vento

mas no fim elas retornam

e trazem consigo a brisa da bondade

ou o sopro quente da vergonha


Escolha bem o que falas

discerne, pense, mede


Palavras são como gaivotas

voam mas voltam

e trazem consigo boas lembranças

ou o amargor do remorso


Escolha bem o que falas

discerne, pense, mede


Palavras são como poções

curam ou matam

condenam ou ressuscitam


Escolha bem o que falas

discerne, discerne, discerne...



Vinicius Soares

segunda-feira, 29 de junho de 2009


Confusão


Não confunda o silêncio com a omissão
nem a caridade com a política
muito menos a reflexão com a solidão
tampouco o sorriso com a alegria

o ato de confundir está em mim
confundo, indago e concluo

ato falho
ato obscuro

Não confunda a mansidão com a fraqueza
nem a dor com a penitência
muito menos a liberdade com o desrespeito

tampouco a fantasia com o impossível
o ato de confundir está em ti

confunde, indaga e conclui

ato falho
ato obscuro

Não confunda a sinceridade com a acusação

nem a mais simples bondade com o interesse

muito menos a paixão com o amor

tampouco a vitória com a soberba e o conselho com a sabedoria

o ato de confundir está em nós

confundimos, indagamos e concluímos

ato falho

ato obscuro




Vinicius Soares

quinta-feira, 11 de junho de 2009




Ama-te


Ama-te, para alegria dos outros
Ama-te, para mudar as coisas
Ama-te e farás obras incríveis
Ama-te, para que sejas sublime
Ama-te e ouvirás sempre: "Bom dia!"
Ama-te e verás a cordialidade
Ama-te como fator que antecede a fraternidade
Ama-te, para amar o mundo
Ama-te antes de acordar
Ama-te depois de dormir
Ama-te em tudo o que fizer

Só assim te importarás com teu próximo
Só assim farás diferença
Só assim...
Ama-te...



Vinicius Soares

terça-feira, 9 de junho de 2009

sábado, 6 de junho de 2009




Baile do Mensalão



Ironia todo dia
faz bem ao coração
tragédia vira alegria
e o lamento a mais bela canção

- Fique calmo, ninguém viu.
- Ué, mas todo mundo sabe...
- O que importa? O povo riu.
- Mau humor aqui não cabe!

- E o Futuro, o que dele vai ser?
- Deixa pra lá que ele é sem graça
- Quem é certinho não sabe viver
- E o Escândalo? Aaa esse, um dia passa.

E assim o povo continua rindo
Pão e circo vamos dar!
A Justiça tropeça, está sempre caindo
Coitada! É doente do pé, não sabe sambar



Vinicus Soares

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A pena e as penas




Há dias em que pesa a pena.
Há tempos em que pesa a vida.
A própria existência é um punhal;
massacra, fere, tolhe
e confunde-se a vontade de estar vivo
com a de nunca ter nascido.

Não importa o céu azul,
não importam as crianças brancas, mimadas e felizes,
nem as festas nos bares,
nem os altares nas catedrais.

Tudo vazio,
tudo vão,
tudo oco.

Passa o dia,
passa a barca,
passam os transeuntes,
pára o tempo.

No fundo do quarto escuro,
um cobertor e um par de olhos escancarados.
O corpo inerte;
a alma transcendente;
as mãos frágeis.

Os lábios secos balbuciam algumas palavras,
tremem pelo frio,
temem pelas penas.

"O que será que me dá?
Que me bole por dentro,
será que me dá?..."¹

Vem, Pai eterno,
me sustentar!...


André Coelho

¹incidental: Milton Nascimento e Chico Buarque, O que será (À Flor da Pele)

segunda-feira, 1 de junho de 2009


Pro meu bem


Pro meu bem não tenho vontade
porque ela dá e passa
tenho amor, eternidade
tenho fonte e não taça

Pro meu bem não tenho incêndio
que com o tempo se apaga
tenho ar, oxigênio
tenho tudo e não nada

Pro meu bem não tenho choro
que sucede o sofrimento
tenho riso em grande coro
tenho vida e não momento


Vinicius Soares


ps. : poesia romantica não é meu forte, foi difícil mas saiu, rrsrs. aos enamorados, feliz dia 12



Passagem


Comprem seus bilhetes, o trem já vai partir!

Se ele vai voltar? não sabemos
Para onde vai? é incerto

Só sabemos que os bilhetes são caros
e tem prazo de validade

Quem não os compra, não parte
quem fica, não progride

Triste é o destino dos desafortunados
sonharam tanto com a viagem
e agora ficaram na estação
vendo os calouros no trem exibindo seus bilhetes

agora terão de esperar
pela partida no próximo ano

ansiedade, tristeza, solidão

histórias de dor e alegria
na estação da seleção
quem vai ou quem fica
é uma questão de posse
se é justo ou não
é uma questão de análise
mas não há nada mais duro
do que a dor de quem não parte...


Vinicius Soares


ps.: inspirado no livro Estórias de quem Gosta de Ensinar -- Ruben Alves


Ser tão...



Como ser no sertão?
...no beiço que racha sem água?
...na planta seca e na fome?
...na saudade de Baleia?

Vida arrastada
farnel de dores
bagagem-sofrimento

Intermitências
morte que ronda
e a mais bela fé que

transporta montanhas,
move muralhas,
traz água fresca...




Vinicius Soares
Arre!!!

O susto é o penhor do despreparo
assim sendo, dedique-se
para que nunca ouças
que te assusta facilmente


Vinicius Soares



Cantiga de roda



Atiraram pão pro pobre bre

Mas o pobre bre

Não comeu meu meu

Dona Rica ca

Ofendeu-se se

E esmolas nunca mais ofereceu!



Vinicius Soares





Deus os tenha


Só o defunto ria
na missa de sétimo dia
talvez porque entendia
quão grande hipocrisia
chorar por quem partia
enquanto crianças mendigavam na escadaria...



Vincius Soares




Escravidão


Aos olhos do leitor
eis a minha devoção!
Noites frias, mau dormidas
para dar-lhes distração

Triste sina, triste lida
agradar à multidão
só é lido o que é lindo
que sutil enganação!

Olhos rasos, olhos pobres
vivem longe da razão
leem só o que é claro
não enxergam direção

Para esse mau agouro
apresento a solução:
"bom se o povo fosse cego
para ler com o coração"



Vinicius Soares



Era uma vez...


Caminhando na areia vi um menino

Estava perto da água e fazia um castelo

O sol forte não o impedia de criar

Assistir o pequeno me fazia imaginar

Imaginava o que ele estava imaginando

A brisa, o sol, o mar e o menino

Tudo era perfeito em Copacabana

Perfeito para quem imaginava

O castelo ficou pronto

E eu, curioso, fui ter com o menino

Quem mora aí dentro?
Os pais que não tenho, respondeu ele.


A tarde passou e o sol se foi

Uma onda chegou e derrubou o castelo

Fui embora


Mas o menino ficou a imaginar...


Um mundo de reis e rainhas num grande banquete

De pais e mães num jantar em família
Um castelo com a presença de Alegria e Justiça

Um reino onde Fome e Solidão foram banidos


E todos viveram felizes para sempre...



Vinicius Soares