segunda-feira, 1 de junho de 2009




Passagem


Comprem seus bilhetes, o trem já vai partir!

Se ele vai voltar? não sabemos
Para onde vai? é incerto

Só sabemos que os bilhetes são caros
e tem prazo de validade

Quem não os compra, não parte
quem fica, não progride

Triste é o destino dos desafortunados
sonharam tanto com a viagem
e agora ficaram na estação
vendo os calouros no trem exibindo seus bilhetes

agora terão de esperar
pela partida no próximo ano

ansiedade, tristeza, solidão

histórias de dor e alegria
na estação da seleção
quem vai ou quem fica
é uma questão de posse
se é justo ou não
é uma questão de análise
mas não há nada mais duro
do que a dor de quem não parte...


Vinicius Soares


ps.: inspirado no livro Estórias de quem Gosta de Ensinar -- Ruben Alves


Ser tão...



Como ser no sertão?
...no beiço que racha sem água?
...na planta seca e na fome?
...na saudade de Baleia?

Vida arrastada
farnel de dores
bagagem-sofrimento

Intermitências
morte que ronda
e a mais bela fé que

transporta montanhas,
move muralhas,
traz água fresca...




Vinicius Soares
Arre!!!

O susto é o penhor do despreparo
assim sendo, dedique-se
para que nunca ouças
que te assusta facilmente


Vinicius Soares



Cantiga de roda



Atiraram pão pro pobre bre

Mas o pobre bre

Não comeu meu meu

Dona Rica ca

Ofendeu-se se

E esmolas nunca mais ofereceu!



Vinicius Soares





Deus os tenha


Só o defunto ria
na missa de sétimo dia
talvez porque entendia
quão grande hipocrisia
chorar por quem partia
enquanto crianças mendigavam na escadaria...



Vincius Soares




Escravidão


Aos olhos do leitor
eis a minha devoção!
Noites frias, mau dormidas
para dar-lhes distração

Triste sina, triste lida
agradar à multidão
só é lido o que é lindo
que sutil enganação!

Olhos rasos, olhos pobres
vivem longe da razão
leem só o que é claro
não enxergam direção

Para esse mau agouro
apresento a solução:
"bom se o povo fosse cego
para ler com o coração"



Vinicius Soares



Era uma vez...


Caminhando na areia vi um menino

Estava perto da água e fazia um castelo

O sol forte não o impedia de criar

Assistir o pequeno me fazia imaginar

Imaginava o que ele estava imaginando

A brisa, o sol, o mar e o menino

Tudo era perfeito em Copacabana

Perfeito para quem imaginava

O castelo ficou pronto

E eu, curioso, fui ter com o menino

Quem mora aí dentro?
Os pais que não tenho, respondeu ele.


A tarde passou e o sol se foi

Uma onda chegou e derrubou o castelo

Fui embora


Mas o menino ficou a imaginar...


Um mundo de reis e rainhas num grande banquete

De pais e mães num jantar em família
Um castelo com a presença de Alegria e Justiça

Um reino onde Fome e Solidão foram banidos


E todos viveram felizes para sempre...



Vinicius Soares